No mundo antigo, a música fazia parte das sete ciências, juntamente com a gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria e astronomia. A classificação se deu pela sua conexão com a matemática (ritmo) e a física (áudio). Embalando a dança e as formas de comunicação mais rudimentares com as divindades, a música sempre trouxe feixes de significados para a existência humana e a conseqüente compreensão sobre sua relação com o universo.
A música é um dom. Habilidade que perpassa através dos genes ou, inexplicavelmente, acomete a pessoa desde cedo, que toca mesmo sem estudar. Também é verdade que a musicalidade aprimora-se por meio da prática, da técnica, da educação do ouvido, das dores e dos amores.
Desmistificando o que é simples por natureza, tocar um instrumento pode ser tarefa para qualquer pessoa, com condições físicas e estrutura motora medianas. Toda sonoridade produzida, respeitado o ouvido do vizinho, é válida para o emitente. Uma nota musical pode ser a transmutação de um grito desabafado, um choro ferido, uma emoção perdida, uma alegria repentina, um desencanto ou uma sensação tão subjetiva que nenhuma palavra consegue expressá-la.
